A Agulha Redonda
por Pedro Silva Sena
Os Jardins do Alhambra ou O Postal
fragosas as brisas sussurram enlanguescidas as sombras estremecem indolentes as águas brilham serenas as colunas
a madrugada é um algar infinito repetem-se os gestos predatórios dos homens marinhos motores ordens olhos electrónicos vigílias além o vento bate mar ressoado atirado à praia orla de conchas vazias
IZ-US (Aphex Twin)
pára entras segues contigo sobre as ruas repetidas pára saem entram segues contigo as linhas inconfirmáveis do jornal pára saem entram segues contigo um rosto pormenores pára saem entram segues contigo dentro da música pára saem entram segues contigo o traço cor de rosa de um airbus nos últimos minutos do sol pára sais entram segue
Não-Lugar
O combóio sulca a noite não está em nenhum lugar só é origem e destino suspenso entre o tempo e a distância estou a pensar.
Cheia do Tejo observada do miradouro de S. Bento
a terra plana apodrece na seiva bruta da água cega a terra plana desaparece canaviais chorões telhados postes emergem da terra plana submecida