El Dibujo Que Tu Hiciste

por Michelle Reich

 

 

 

Como hoy nos vamos a graduar,

ayer me dio por revisar la vida y los diarios que escribí.

Con letra redondita y grande el niño que me gusta se llama Alvarito.

Seguir el efecto de las acciones es un hobby traicionero cuando caemos en lo que somos y en lo que podríamos ser si las acciones fueran otras u otros sus efectos:

 

En una mesa del colegio hubo dibujado un corazón con nuestros nombres en él. Testigos corroboraron. Mi subjetividad no tuvo parte en el hecho. Se examinó el estilo, la presión en el lápiz, los tipos de disortografía, no existe una duda razonable que contradiga lo que el ojo ve: Tu mano tembló el dibujo.

 

Hoy nos vamos a graduar, entraremos al salón de dos en dos como si viviéramos en Inglaterra. Nos daremos la mano y yo sé que lo dibujaste. Estaremos tan felices por liberarnos al fin, (las cosas dejaran de saber a sueño extraño, demasiado profundo y demasiado largo). Nuestros compañeros tal vez se pongan emotivos o violentos y no seremos más mejores amigos odio ser tu mejor amiga (vivir como con los horarios cambiados, como en una casa provisoria, como con la ropa en maletas).

 

Saludaremos en el pasillo a nuestros tíos y al alivio de no volver aquí. Me sentiré incomoda si algún día se ven interrumpidos mis pequeños ritos para el baño y las comidas. Les diré locos a los trotamundos.

 

No otros: estos somos estos somos.

 

En el colegio siempre nos amenazaron con expulsarnos y es sospechoso que no lo hayan hecho.

 

Todos saben que no hay niños más inteligentes, nos ponían en condicional porque nos tienen miedo y no por otra cosa.

 

Tampoco querían dejarnos graduar con el resto por talentosos, por horrorosos, por matar al Sr. Meller.

 

Todos saben que fuimos nosotros, que el señor igual tenía cáncer y que iba a morir pronto. Se lo adelantamos, sí, pero se entiende que fue sin querer. La intención fue darle un susto y nos repitiera la prueba, porque la nota era injusta. Yo me siento mal a veces, si hubiésemos sabido no lo hubiéramos hecho. Pero tu nunca sentiste más que rabia contra la esposa del Sr. Meller que nos echó del funeral y le gritó a nuestros papás que somos monstruos que mejor hubiéramos muerto antes de conocernos.

 

Con letra redondita y grande el niño que me gusta se llama Alvarito (decían mis diarios hace 10 años). No hay una razón que contradiga lo que hay. Tu nunca entendiste, porque ocupaste nuestro tiempo en hacer maldades graciosas y yo te seguía porque te seguiría aunque te hubieses ocupado en los estudios.

 

Caminamos por el pasillo, nos ovacionan de pie nuestros amigos y viejos murmuran estos son estos son. Es tan obvio que nos amamos tu dibujaste ese corazón cuál es el objeto de decir no. A veces quisiera haber muerto antes de conocerte.

 

 

 

 

O Desenho Que Tu Fizeste

por Michelle Reich

 traducción al portugués: alberto augusto miranda

 

 

 

Como hoje é dia receber o diploma,

ontem deu-me para revisitar a vida e os diários que escrevi.

                       Com letra redondinha e grande o menino de quem gosto chama-se Alvarito.

Seguir o efeito das acções é um hobby traiçoeiro quando damos conta do que

somos e do que poderíamos ser se as acções fossem outras ou outros os seus efeitos:

 

Numa mesa estava desenhado um coração com os nossos nomes dentro. Houve testemunhas que corroboraram. A minha subjectividade não interveio no facto. Examinou-se o estilo, a pressão sobre o lápis, os tipos de disortografia, não existe uma dúvida razoável que contradiga o que o olho vê: a Tua mão tremeu a desenhar. 

 

Hoje vamos receber o diploma, entraremos no salão dois a dois como se vivêssemos em Inglaterra. Daremos as mãos e eu sei que desenhaste. Estaremos tão felizes por nos libertarmos finalmente (as coisas deixarão de saber a sono estranho, demasiado profundo e demasiado comprido). Os nossos colegas talvez fiquem emotivos ou violentos e não seremos mais os melhores amigos odeio ser a tua melhor amiga (viver como com horários trocados, como em casa provisória, como com a roupa nas malas).

 

Cumprimentaremos na passerelle os nossos tios e o alívio de não voltar aqui. Sentir-me-ei incomodada se alguma vez forem interrompidos os meus pequenos ritos para o banho e as refeições. Chamarei loucos aos viajantes.

 

Não outros: somos estes somos estes.

 

No colégio ameaçaram-nos sempre de expulsão e é suspeito que não o tenham feito.

 

Toda a gente sabe que não há crianças mais inteligentes, não nos expulsavam porque têm-nos medo e não por outra coisa.

 

Nem sequer nos queriam deixar receber o diploma com os outros por sermos talentosos, por termos morto o Sr. Meller.

 

Toda a gente sabe que fomos nós, que o senhor tinha um cancro e que ia morrer em breve. Adiantamo-nos, sim, mas compreende-se que foi sem querer. A intenção foi pregar-lhe um susto para que nos repetisse o exame, porque a nota era injusta. Sinto-me mal às vezes, se tivéssemos sabido não o faríamos. Mas tu apenas sentiste raiva da esposa do Sr. Meller que nos expulsou do funeral e gritou aos nossos papás que éramos monstros que era melhor termos morrido antes de nos conhecer.

 

Com letra redondinha e grande o menino de quem gosto chama-se Alvarito (diziam os meus diários há 10 anos). Não há uma razão que contradiga o que há. Tu nunca percebeste, porque ocupaste o nosso tempo a fazer maldades engraçadas e eu seguia-te como te seguiria se te ocupasses com os estudos.

 

Caminhamos pela passerelle, aplaudem-nos de pé os nossos amigos e os velhos murmuram são estes são estes. É tão óbvio que nos amamos tu desenhaste aquele coração que é o objecto de dizer não. Às vezes gostava de ter morrido antes de te conhecer.

 

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