Vi Um Construtor Civil

por Alexandre Pinto

 

 

 

Vi um construtor civil na casa dos 50 a correr que nem o Carl Lewis os 100 metros livres, e corria para apanhar um jovem gatuno que limpou un anel da ourivesaria ao lado da casa da Alexandra. Eis que surge a Cristina, uma bela loura de 40 anos da General Taborda e diz-me: Alexandre estás a ver podiam te apanhar a ti e eu abraçei-a forte e ela deixou e eu senti uma semi-erecção um contacto que há muito não tinha com louras.Quis possui-la ali no meio do alarde que ninguém notava.Já hoje e diante do pai disse-lhes isso, o pai dava bafos no SG-Ligths e eu escrevi um poema à Cristina que era

assim: penso no teu peito/feito maior e doce/e sorrio suspeito/se meu fosse.

No que diz respeito a outras louras, mas de origem soviética, conheço algumas. Estava no outro dia à espera do 2 para a Baixa e uma diz-me olá, eu digo Priviet (olá em russo) e sorri. Eram 13:02 quando perguntei as horas a um homem e 13:13 quando a ela o fiz, entretanto ela aproveita para ir telefonar e às 13:17 chega o autocarro. Não sei o nome dela, conheço a Mariana que é muito divertida mulher do Viktor Frunzen o homem mais

forte de Campolide  e a Natasha a mulher do Vladimir. Hoje estava hasteada    a bandeira da Ucrânia junto ao pátio onde eles moram em pequenas casas. Tive uma manhã terrível pois não fiz nada senão conversa de lana caprina com os comerciantes locais, não li, não escrevi, só fumava  e comia. Mas encontrei o ex-notário que se enganou no título de Maria e as Outras ( Maria vai com todas, disse ele) e eu ri-me imenso. A verdadeira Maria esteve ontem na RTP1 a enrolar charros, não fosse ela Patrícia Guerreiro e o João Guerra, o angolano mais branco da General Taborda. Há mais louras e guerreiros, há a Raquel no que de loura tem e o Paulino no que de guerreiro tem. O bom Sebastião está na sua casa nova, a Marina a diva da General Taborda continua sedutora e a Tanja está por cá, que por sinal é veterinária e loura.

Estou a escrever isto porque estou com uma tremenda de uma azia e tinha isto na cabeça há alguns dias, mas tive uma semana de intensa vida social, de modo que ao 3º chá de Tília já se notam melhoras e amanhã dia 2 de Maio que ganhe o Benfica. Qualquer coisa que necessitem, a Farmácia Central no nº 17 da Rua General Taborda, está de serviço, eu vou andar por lá a fazer de segurança e de relações públicas, enquanto o langor do Domingo se atravessa pela feição do desejo.

 

Agora é verdade, deixaste o azul contado ao longe e sinto auto-compaixão de livre estar.

A queda do ascensor é amigável, quando a música somente é uma água termal, ou seja o som bélico que está no betão, é rarefeito e puxa pela força que contra-ataca a hipótese de relax. Daí apreciar redes entre duas árvores, onde a brisa à mente, revela a beleza da luta à vida, ao peso que o haltere (sempre mensurável e em limite), fica sem divertimento diante da lúxuria do corpo em suficiência de energia. A necesidade de provocar em sobriedade, o alheio, é a dinamite que antes desbrava as terras graníticas e que agora, por passos de fala, entra no turbilhão que sonda as lágrimas. Acima do poente, há uso imaterial, droga em desuso. Sejamos os dois um colectivo igualmente contado, até que a penumbra antecipe a vontade ‘orgiástica da vida’. Eu sou português, não falo alemão...

 

Acordo para ti a toda a vontade, com uma violência firme à vida, coroando o sonho do cavalo selvagem. E levei o nascimento do olhar, entre o verde da velha Irlanda e aos cabelos de uma mulher que cantava o horizonte lavado.

Havia algo ao alcance dos miúdos tímidos, um parapeito precioso, o dos livros lidos debaixo do cobertor, lá no sótão de montanha. Ela era assim naturalmente espantosa, criada no piano, de trono negro e busto branco.

Quem me imagina à noite, sem esse tom feminino, pode confiar o olhar à boca que se dividiu entre o sono e o beijo. Assim como subir uma Amendoeira, à beira da estrada e de lá olhar as camponesas de vestes simples, é e será recordação de quem pulava muito ao abraço de seiva no correr solitário de ambos os interiores a respirar. Sim podei os carvalhos verdes, hoje possuo mente de si, para entre ela aqui me suster deitado. Os outros crescem ao lado do portão vermelho, onde há uma laje boa, para sentir debaixo dos pés depois do sol. A mente, desencarcera o cansaço da cidade demasiado frívola.

Deito o corpo e plano para o dia de técnica pensada, é o amor a pedir tempo.

Ó que viagem! Além do cigarro,arde o tédio do verão numa só rua e eu apresento medidas antigas, para começar a mover ao horizonte as paredes de uma casa com asas.

 

O teu nome, terás muitas noites com ele a jus com a neblina que te pensa. Sim bate a noite no meu nome pensado por ti. A canção está nua, eu entro em vocês e cativo no baloiço de jardim o que íntuo. Não partirei mais, aceno somente a quem me é estranho e no entanto sorrio quando a luz me emociona e seguro tua ventura contada. Às vezes minto à frente do asfalto, não quero pelejas de verdade, quero beijos velozes dentro da confusão apática das tardes da cidade. O que resta do rosto, estampa direcções de sombra, eis a cirurgia deste afecto. A harmónica despoleta o alicate que tu tens e se abre para me arrancar parafusos de meus estados emocionais. Distas em ferro.

Frente fria, diz a sirene. O comboio lembra-nos na carga de açucenas, pela fábrica que se mantém por lá. Remar remar, no verde escuro no céu sem crime aparente e a particularidade de se abrirem arestas mais perspicazes que o golpe de vista da minha baliza. Tal Stevie Wonder que cobre de forma soberba o teclado com as mãos, eu cubro a baliza de qualquer campo e sou bom nisso.

Quando entras assídua pelo nome, eu deixo e abro caminho, afinal eras tu quem querias conduzir. Eu apenas te dei um 1º de Abril, como primeira vez no rubor virginal. Vou ver que diz a prateleira do café no supermercado, pegar numa Fender e os novos duelos são estes, com diabos, legiões deles, em porte avulso. Não pretendo ser tardio, a multidão é estúpida como a lingerie.

Parti um cabo, a roca era o teu fuso. Conta-ataque da voz, exaspera de novo à esplanada de Joana D’Arc, nascida 591 anos exactamente depois de mim.

E assim a cavalaria tem heráldica malfadada. Quem nos garante que a mascote, tem humor? Há frio numa parte da cabeça, não consigo deixar por cima de mim o lençol, estou a guardar o que foi meu e assim que virei a cabeça, eis Sodoma e Gomorrra. Nunca matei senão com o olhar, pequenas adolescentes, nas carruagens de metro. Sou estranho por ser efusivo com o negro que assinala com garras de soldadinho de chumbo, a normalidade. Quase acredito no retrato que é oferenda mal parqueada, a  saudade da tua roupa ou a neve finalmente vista. Estavas delicadamente perdida em ti, eu tomei de assalto esse coração em linha recta.A casa está ainda em pé, que preciso eu sem ti? A pele do devir, claro. ‘Golden Brown’, olhos teus, ‘from far away, stays for a day...’ e a música adocidada de livros esculpe a cinzel, o teu busto nesta noite.

 

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